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Rosângela Felippe, entrevista

DAVI CHARALLO GRISOLIA ELIAS

O repórter dos ares que há seis anos

pilotando drones de todos os tamanhos e modelos

Em uma época em que imagens são a maior comprovação de fatos jornalísticos, o auxílio do drone vem assumindo, cada dia mais, um papel importante em termos de documentação histórica. A mídia guaxupeana tem contado com o desempenho de Davi Charallo Elias neste serviço de captação de informações.

Davi se especializou em pilotagem de drone e vem capturando trechos do panorama da cidade mapeando-a em toda sua extensão, incluindo espaços da área rural e cenários naturais ainda em estado de preservação. A maior cobertura jornalística feita sobre o incêndio de grandes proporções ocorrido em uma região da Nova Floresta, em julho deste ano, ficou por conta de sua lente voadora que registrou a catástrofe em todos os detalhes. Seu trabalho foi reconhecido e aplaudido pela própria equipe de Corpo de Bombeiros da cidade.

Filho de Eduardo Grisolia Elias e de Varlucia Charallo Elias, Davi tem duas irmãs, Laura Charallo Grisolia Elias e Raquel Charallo Grisolia Elias. Em Guaxupé, seus estudos foram realizados no Colégio Dom Inácio (ensino fundamental e médio). Em Unipinhal (Engenharia Ambiental, incompleto). Atualmente, cursa o 2º ano de Administração de Empresas (Unifeg).

Nesta entrevista, o guaxupeano relata como foi que se deu a sua relação com o drone e explica a importância desta tecnologia para os dias contemporâneos.

 

Como foi seu primeiro contato com drone (ou vant)?

Meu primeiro contato com drone foi no final de 2012 por meio do meu pai que comprou um aparelho para ele e eu acabei me interessando por tal tecnologia. Daí em diante, virou uma paixão. Portanto, há quase seis anos piloto drones de qualquer tamanho ou modelo.Quero agradecer muito a meu pai e minha mãe, pois se não fosse o incentivo deles, nada seria possível.

 

Manejar drone exige algum curso específico ou é possível aprender com a prática e manuais? A partir de que idade o piloto pode operar um drone?

Para operar um drone profissionalmente é preciso ser maior de 18 anos. É imprescindível, sim, fazer um curso básico de pilotagem. No meu caso, já fiz seis cursos de drones em várias áreas. Atualmente, além de pilotagem, administro cursos pela empresa ‘Drone Guaxupé’.

 

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) exige habilitação para os pilotos de equipamentos com mais de 25 kg e que façam o drone voar acima de 120 metros. O que você pensa a respeito?  Com peso e altura abaixo dessas determinações não há perigo de que ocorra acidentes?

As legislações vigentes no Brasil em relação aos drones, considero que estão ainda bem fracas, pois para qualquer operação de drones deveria sim ter uma habilitação para poder pilotá-los.

Sim, com pesos inferiores a 25kg e alturas inferiores a 120 metros é muito possível que possa ocorrer acidentes, seja por causa do erro do equipamento ou, na maioria das vezes, por causa de erro humano. Ou seja, operar drone não é brincadeira. Caso alguém queira adquirir um, deve-se fazer um curso profissionalizante.

 

Um drone não é um produto barato. Varia de R$ 7 a 40 mil reais ou, talvez, até valores maiores. Caso não seja para fonte de lucro, compensa adquiri-lo apenas como hobby?

Tudo depende do interesse de cada um e do poder aquisitivo. Muitos amigos meus adquiriram drone para hobby. É sim um produto muito tecnológico que hoje em dia virou uma ferramenta bem interessante para diversas áreas.

 

Quais as principais utilidades dos drones quanto aos benefícios para a sociedade?

Os drones vieram para agregar, ajudar e diminuir custos de operação em diversas áreas da sociedade, podendo ser usado para inspeções de telhados de fábricas, monitoramento de rede elétrica, monitoramento de multidões em shows e lugares de alto índice de criminalidade, medição de terrenos, topografia rural e urbano, monitoramento de propiedades rurais. Outro uso que se pode fazer do drone é na agropecuária. Na produção de alimentos, auxilia no monitoramento da lavoura podendo ser identificado pragas, falhas e ate déficit de nutriente em plantas através do NDVI ( sigla em inglês para Índice de Vegetação de Imagens). Monitoramento de rebanhos de animais também pode se realizar com um drone.

 

Então, podemos entender que o drone é hoje a melhor ferramenta para o produtor rural?

Sim, é a melhor ferramenta hoje em dia para um produtor rural, engenheiro agrônomo, ambiental e florestal. Enfim, com o drone conseguimos identificar inúmeros problemas na lavoura e é possível até contar o rebanho utilizando um programa.

 

Em termos de coberturas jornalísticas, você define o drone como um eficaz auxiliar na captação de informações contundentes?

Sim, com toda certeza. O drone possibilita passar uma visão ampla e geral de um fato jornalístico, podendo ter um ângulo mais crítico de tal fato. Para mim, o drone hoje em dia é uma ferramenta indispensável para o Jornalismo.

 

Recentemente, um incêndio florestal destruiu extenso território em Guaxupé, na região do bairro Nova Floresta. Ao pilotar seu drone, você registrou em detalhes o acontecimento. Um trabalho que não deixou dúvidas quanto à proporção do prejuízo ecológico gerado para a cidade e região. O que lhe representa esta prestação de serviço que mapeou com exatidão o fato catastrófico na cidade?

Essa prestação de serviço voluntária colaborou para com a nossa querida Guaxupé. Isso representa para mim o papel de cidadão que todos deveriam fazer por nossa cidade, cada um em sua área e como puder ajudar, pois, já que vivemos em uma sociedade, precisamos cada um fazer nossa parte dando o melhor de nós e, também, como sou um amante da natureza, quis muito colaborar com a nossa fauna e flora que já são tão extintas no nosso Brasil. Sim, quis poder ajudar para que essa área de grande importância fosse preservada para que um dia pessoas que ainda não nasceram possam ter a honra de admirar uma paisagem tão bela como é essa mata do Nova floresta que, para mim, deveria ser área de preservação permanente.

 

Ainda, sobre a cobertura deste incêndio, seu trabalho foi reconhecido pelo Corpo de Bombeiros. Esta homenagem é um incentivo para que você se dedique cada vez mais à pilotagem de drones?

Com certeza. Quem não gosta de ter seu trabalho reconhecido? Porém, foi um trabalho totalmente voluntário e sem esperar nada em troca. As coisas acontecem na medida em que nos dedicamos de coração. Sendo assim, com certeza somos retribuídos de alguma maneira.

 

Dizem que um drone também pode ser utilizado para fins mal-intencionados. Por exemplo: Monitorar o dia a dia de uma pessoa sem que ela saiba. Isso é fato ou apenas suposição?

É um fato. É sim possível monitorar a vida das pessoas uma vez que o drone é uma tecnologia de guerra criada exatamente para esse intuito: vigiar. Mas como toda invenção, pode ser usada tanto para o mal quanto para o bem. Tudo vai da mão de quem o esteja usando.

 

Quanto à utilização do drone na captação de imagens de territórios de contrabandos, tráficos de drogas, comércio ilegal de madeiras e outras infrações, você confia ser esse um método eficaz no combate ao crime mais até do que os satélites?

Para mim é o método mais eficaz, já que o drone possibilita uma visão de até 500 metros de altura e nos passa uma imagem atual. Já um satélite demora muito tempo para fazer a leitura de uma área e, devido a isso, não consegue mostrar os dados em tempo real e com precisão igual a do drone.

 

Sendo o Brasil um país de grande extensão territorial, não seria o drone a única ferramenta capaz de controlar o que acontece em suas múltiplas fronteiras?

Com certeza. A maneira mais eficaz de se monitorar as fronteiras brasileiras seria com o auxílio dos drones. Porém, neste caso estamos falando de drones com tecnologia militar e com alcance de mais de 1.000km, pois são os que possibilitam monitorar o Brasil inteiro. Possível é, mas falta vontade por parte dos governantes, já que o uso de drones diminui muito os custos de operação.

 

Qual o limite de distância o drone pode atingir para que seja possível pilotá-lo? E caso o perca de vista, é possível recuperá-lo?

Para pilotar um drone sem ter o visual do aparelho é necessário fazer um NOTAM e um CAVE, autorização especial da ANAC para operar um drone sem enxergá-lo. A distância possível para um drone varia muito, de 500m a 7km, dependendo das especificações de cada aparelho.

 

Cada vez mais, o drone está sendo utilizado em gravações de filmes, documentários, novelas, fotos de locais inacessíveis ao homem, registros históricos, entre outros. Você acredita que há de chegar o dia em que o drone estará nas mãos de todos? Se assim for, há meios de o drone se desenvolver, tornar-se uma ferramenta mais leve e compacta, assim como acontece com o telefone celular?

Sim, logo o drone será um aparelho acessível a todos, já que a evolução é exponencial. Quanto mais tecnologia, mais rápido as coisas se desenvolvem.

 

De certa forma, o drone poderia ser uma ferramenta de segurança doméstica, mais até do que câmeras fixas e alarmes? Ou seja, haveria como pilotá-lo para averiguar se há perigo rondando o local onde as pessoas moram ou esse meu pensamento é utópico?

É possível! Grandes empresas já monitoram suas áreas com drone, já que há lugares com pontos cegos que o aparelho chega facilmente.

 

O sucesso com os drones, além de requerer esforço, estudo e dedicação, necessita da participação de outra pessoa. Qual é a função do copiloto?

Depende da atividade, para operar o drone remotamente é necessário um copiloto. O papel dele é ficar de olho em fios, pássaros, aeronaves e reportar ao piloto para que não haja acidentes.

 

Em termos burocráticos, existe no Brasil alguma lei que determina sobre quais territórios pode-se ou não ser sobrevoados por drones?

Sim, em aeroportos é restringido o voo. O drone nem liga em um raio de 4km de cada aeroporto. Também, é proibido voar a menos de 30 metros de multidões e em estádios.

 

Há como encarar o futuro sem a ação dos drones ou eles já são o futuro garantido para a sociedade?

O futuro é agora e o drone veio para revolucionar tudo em nosso mundo. Quando eu assistia ao filme ‘De Volta para o Futuro’, via o carro virar os pneus e sair voando. Mas acredito que não vai ser desse jeito. Para mim, os carros voadores do futuro são os drones. Em Dubai já há drones que transportam pessoas em fases de teste dentro da cidade e tudo funciona de forma autônoma, sem ser necessária a pilotagem. Assim como no GPS, programa-se o destino e o drone vai.

 

“Quero deixar os meus agradecimentos a Rosângela Felippe que me convidou para dar essa entrevista.” (Davi C.G. Elias)

 

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