Conteúdo para toda família

Rosângela Felippe, entrevista

ARNALDO

GRECCO MUNIZ

UM LEAL TESTEMUNHO DE COMO FORAM

OS ANOS DOURADOS DE GUAXUPÉ

Nascido no ano de 1940, o engenheiro e arquiteto Arnaldo Grecco Muniz (Nadinho) é uma louvável memória viva de como foram os tempos calmos, românticos e mágicos de Guaxupé.

Filho do saudoso casal, Antônio Muniz (funcionário público federal do Correio de Guaxupé) e Maria Grecco Muniz (professora no Grupo Escolar Delfim Moreira), Nadinho é o único homem entre duas irmãs, Valdivia Muniz e Isabel Muniz. Pai de Lucas Grecco Muniz, Arnaldo reside na cidade de Passos (MG), onde, assim como em Guaxupé, cultivou grandes e boas amizades devido ao seu indiscutível carisma, bom caráter e coração notadamente bondoso.

Quem o conhece sabe que sua imagem ficou fortemente gravada na Rua Pereira do Nascimento onde foi criado ao lado da lendária ‘Lotérica Muniz’, de propriedade de seu tio Pedro Muniz. Local que entrou para a história de Guaxupé como: ‘A Esquina da Sorte’.

Amante do futebol, sua presença entre as equipes esportivas de sua época era constante. Participou de jogos, treinos e sonhos de campeão como a maioria dos rapazes da cidade.

Não faltava a um só ‘Baile das Orquídeas’ e de outras comemorações festivas promovidas em Guaxupé, pois seu temperamento sempre foi voltado à alegria de viver.

Nadinho está na lembrança de muitos, também, por sua cordialidade, sorriso permanente e seu modo ‘zen’ de ser, característica que preserva até hoje, mesmo não sendo mais aquele jovem de cabelos fartos que deram lugar a uma encantadora calvice. E o sorriso maroto permanece intenso, pois nem a força do tempo conseguiu apagar a luz de sua jovialidade.

Além de engenheiro arquiteto, Arnaldo Grecco Muniz é um exímio redator. Tem colaborado com revistas de mensagens espiritualistas com textos de profunda inspiração.

Graças a sua privilegiada memória e incontestável amor pela terra natal, o interior do antigo e extinto prédio do ginásio da cidade foi retratado por ele em uma maquete eletrônica. Levando-se em conta que no passado não era comum o uso da fotografia, os olhos de Nadinho resguardaram cada canto da amada escola que hoje podemos assistir em vídeo pelo youtube. O nome da página é: ‘Ginásio São Luiz Gonzaga em Guaxupé’.

A riqueza de detalhes com que Nadinho narra os episódios vividos no passado em Guaxupé chegam a emocionar. Com habilidade, ele conduz o trem da saudade levando-nos a percorrer túneis, pastos verdes e montanhas azuis de um passado que guarda grandes momentos da vida de muitos guaxupeanos.

 

QUAL É A SUA MELHOR LEMBRANÇA DA INFÂNCIA? Passei minha infância em Guaxupé. Sempre gostei de praticar esportes e o meu favorito era o futebol. Sonhava em me tornar um jogador profissional em clubes de São Paulo ou Rio de Janeiro. Em 1957 já estava jogando no juvenil do Atlético Mineiro quando, por motivos particulares, encerrei minha atividade esportiva para dar continuidade aos meus estudos. Quando menino eu brincava na Rua Pereira do Nascimento, com os netos do Sr. Vicente Eclissato, perto da minha casa, local onde funcionou uma fábrica de cerveja que restou apenas os maquinários que usávamos como brinquedos. O Sr. Vicente era um italiano que tinha uma ‘chapelaria’ para lavar os chapéus’ (moda da época) situada na Rua Pereira do Nascimento, em frente à fábrica de Macarrão Rovay (local onde morou o Elias José, escritor). Acima da chapelaria, logo em frente à venda dos Rovay, estava a Lotérica Muniz, casa da “sorte grande” do meu tio Pedro Muniz que vendia bilhetes da loteria mineira e federal – a ‘esquina da sorte’, assim era conhecida.

 

QUANDO ALGUÉM DA CIDADE ERA CONTEMPLADO COM UM BILHETE DA SORTE PREMIADO, QUAL A IMAGEM QUE FICOU MARCADA DO SEU TIO PEDRO MUNIZ, PROPRIETÁRIO DA ANTIGA LOTÉRICA DA CIDADE? Toda semana, meu tio Pedro comprava no armazém do Sr. Estevinho, as caixas de foguetes para soltar nos fins de semana, quando anunciava mais um premiado da Loteria Mineira ou Federal. Tinha foguetório todas as semanas; constituía uma façanha esperada pela cidade inteira, cheia de curiosos a saberem quem era o novo sortudo da cidade. Era na chamada ‘esquina da sorte’ que ele soltava os fogos. Aliás, Guaxupé já teve fábricas de foguete (do Sr. Zé Pilinta, na Rua Treze da Maio), de refrigerantes, de cerveja, de calçados, de queijos italianos (Polenghi), tamanco, doce de leite ‘Guaxupé’.

 

COMO FOI O SEU CONVÍVIO COM O FUTEBOL? Aos meus sete anos de idade eu ia ao Estádio Municipal de Guaxupé para assistir e torcer pelo Club Esporte União – CEU, meu time do coração; a rivalidade na época se travava com o ‘Liberdade Futebol Club’ (time do Senhor Nenê (Alcides) Baldini.  Alemão, Barbosinha, Toninho Borges, Ico Rossi, Boa Vista, Neblina são alguns jogadores que consigo me lembrar que jogaram no União. Na época vieram alguns jogadores do Vasco da Gama (RJ) contratados pelo Club Esporte União, através do seu presidente José Pedro Muniz. Lembro-me do jogador Gonçalves - emprestado pelo Vasco da Gama ao União; Gonçalves concluiu o seu contrato com o Clube União passando a residir em Guaxupé onde montou uma fábrica de tamancos na Rua Tiradentes (perto da casa do Sr. Olavo Barbosa).

Em 1952, a cidade passou a contar a Sociedade Esportiva Guaxupé (SEG) clube formado pela fusão do ‘Club Esporte União’ com o clube ‘Liberdade Futebol Club’. A Esportiva, como ficou conhecida, passou a ser chamada de ‘Os tigres de Minas’, onde disputou o Campeonato Mineiro nos anos 70. Em 1976, eu presidi a última reunião como presidente da ‘Esportiva’ na sua fase profissional que ficou paralisada alguns anos por dificuldade de encontrar outra e nova diretoria ao clube.

 

FALE SOBRE A SUA ADMIRAÇÃO PELO SAUDOSO SR. ANTÔNIO GRECCO. O senhor Antônio Grecco que, embora seja uma coincidência de nosso sobrenome, não possuíamos nenhum parentesco. Este senhor criou e comandou, com seu esforço e boa vontade, uma escola de base para ‘preparação de jogadores de futebol’ para a Esportiva. Dentre eles, cito os jogadores: Alfredinho Lopes (Atlético Mineiro e Seleção Mineira), Tito (Celso) e Miguel (Atlético Mineiro), Salvinho (Guarani de Campinas), Tati (Palmeira – SP) Pachá (esteve pouco tempo no São Paulo F.C.), Macalé (América Mineiro) e outros nomes que não me recordo. Destaco também a presença amiga do Sr. Tufí Sayeg que sempre esteve presente ao lado do esporte e apoiando a Esportiva. Em 1957, viajei para Belo Horizonte pela Real Transportes Aéreos; na época não existia linha de ônibus direto para BH. Guaxupé teve outras companhias aéreas: a primeira foi a TASA, depois a ‘Nacional Transportes Aéreos’ e a Real que foi a derradeira.

 

VOCÊ TEVE O PRIVILÉGIO DE ASSISTIR A CHEGADA DE DOM INÁCIO À CIDADE. COMO FOI ESSE DIA? Sim, nos anos 1950 eu acompanhei a chegada do Bispo Dom Inácio João Dalmont a Guaxupé, junto a milhares de pessoas que se reuniram para recepcioná-lo. Fomos recebidos pelo bispo na cripta da Catedral. Ele recebeu e cumprimentou todos os presentes, um a um.

 

QUAL TRAJETO VOCÊ PERCORREU COMO ESTUDANTE? Iniciei meus estudos no Grupo Escolar Delfim Moreira. Em seguida, fui para o Ginásio São Luis Gonzaga em Guaxupé concluir, em quatro anos, o curso ginasial. A escola era particular, dirigida pela Congregação dos Irmãos Lassalistas Católicos, e não oferecia o curso colegial.

Em seguida, fui para a cidade de São José do Rio Pardo (SP) onde cursei o meu primeiro ano secundário que era denominado  ‘curso científico’. Fiz o primeiro ano em 1956, no ‘Colégio Estadual Euclides da Cunha’.  No ano seguinte, fui concluir o segundo e terceiro ano no ‘Colégio Anchieta’, em Belo Horizonte (curso pago), cidade onde iniciei e concluí na UFMG, o curso profissional de Engenheiro Arquiteto, registrado no CREA sob nº5855/D 4ª Região. A partir de 19 de junho de 2013, com a criação do CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo, recebi o registro (nºA0483-9 MG).

 

COMO DESPERTOU O ENGENHEIRO ARQUITETO NA ALMA DO NADINHO? Recordo-me que, em 1951, ainda menino, atendi ao pedido de meu pai (funcionário do Correio) para fazer o mapa da cidade a ser utilizado como referência no Correio situado na Av. Conde Ribeiro do Vale (local do atual São João Supermercado). A cidade tinha em torno de 20 ou 25 mil habitantes. Na época, eu conhecia todas as ruas de Guaxupé, o que me facilitou a traçar de memória todas as linhas num papel de cartolina colocada sobre a mesa da copa de minha casa.

Quando estudante, no antigo ginásio da cidade, a pedido do diretor Irmão Arnaldo desenhei a planta baixa do prédio da escola e, 53 anos mais tarde, reproduzi o mesmo colégio num vídeo que pode ser visto no Youtube com o nome: ‘Ginásio São Luiz Gonzaga em Guaxupé’.

 

DESCREVA UM ASPECTO MARCANTE DA CIDADE DO TEMPO EM QUE NELA VIVEU. Lembro-me que em 1948 a única via com calçamento (paralelepípedos) era a Av. Conde Ribeiro do Vale que começava no posto de gasolina atual e se estendia até a praça da igreja do Rosário. Na mesma avenida, em frente ao Cine São Carlos, chamado na época de ‘jardim de cima’, era o palco onde os homens e as mulheres trocavam os primeiros olhares de um futuro namoro. Os homens ou meninos andavam pelo passeio girando no sentido anti-horário e as meninas desfilavam no sentido contrário de modo que a cada volta completa flertavam duas vezes com as futuras namoradas. Às 22 horas, o recinto estava vazio, as meninas já tinham se direcionado às suas casas. A parte debaixo, em frente ao Clube Guaxupé, ficava o denominado ‘jardim debaixo’ – era pouco iluminado com um footing ou desfile mais intenso. O Cine São Carlos abrigava, durante as sessões dos seus filmes, os casais de namorados que aproveitavam a oportunidade para um troca de beijos às escondidas.

 

ONDE VOCÊ VIVE HOJE, COM CERTEZA CARREGANDO GUAXUPÉ NO CORAÇÃO? Eu moro em Passos, MG, cidade que me acolheu em 1971, quando vim de Belo Horizonte para fazer e lançar o projeto do Clube Muarama, hoje transformado em supermercado. Em 1976, lancei em Guaxupé a ‘Multiplan’ – entidade de planejamento e desenvolvimento regional responsável pela formação das dezenas de Microrregionais da Associação dos Municípios de Minas Gerais; exemplos AMOG de Guaxupé e AMEG de Passos.

 

UMA MENSAGEM AO PASSADO, AO PRESENTE E AO FUTURO DE GUAXUPÉ. “Guaxupé - cidade doce como o mel da sua própria abelha.”

 

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