Conteúdo para toda família

Pediatria
Dr. Heber Hamilton Quintella

Quem são as crianças luminescentes?

Um leitor poderia franzir estupefato o semblante ao ler o título desse livro e perguntar: “Que espécie de criança “luminescente” é essa?” Não se assuste, pois quem escreve este pequeno artigo fez-se a mesma pergunta quando um amigo lhe recomendou o livro Crianças luminescentes: como a tela vicia e sequestra nossas crianças – e como romper o transe. Após a leitura das primeiras páginas, o leitor percebe que o termo “Menino Luminescente” é habilidoso, embora inquietante.

O Dr. Nicolas Kardalas cunhou o termo para se referir à cena que vemos por toda parte: crianças fascinadas pela luminescência de pequenas telas azuladas. Seus dedinhos agarram aparelhos luminescentes que monopolizam sua atenção. O problema, onde está?

O livro trata do efeito causado nas crianças pelo uso descontrolado do smartphone. O desenvolvimento das funções cerebrais, o convívio social e da própria personalidade são afetados. Exemplos e provas mostram que a tecnologia visual moderna não é uma panaceia. Videogames em excesso têm efeito destrutivo na mente e causam dependência à semelhança das drogas, dificultam a atenção e a concentração da mente. A moda escolar crescente de adotar essa tecnologia nas aulas também contribui para esse efeito nocivo.

O Dr. Kardaras aduz exemplos pessoais, tirados de sua vida profissional, ao fazer tratamento de viciados em drogas. O problema das tecnologias visuais modernas é inteiramente semelhante. Certa vez. Certa vez o Dr. Kardaras teve de convencer um menino de que ele não era um dos personagens de seus videogames preferidos. Esse paciente perdia o sono, caía em estado de psicose tecnológica, de tal modo estava viciado. Seu caso foi decisivo para levar o Dr. Kardaras a enfrentar o problema com maior afinco.

Ele não apresenta apenas casos diagnosticados, mas também tratamentos diversos para superar o vício tecnológico, com soluções que vão desde a “abstenção” até o uso moderado das tecnologias modernas. O Dr. Kardaras utiliza bom senso e lógica para resolver os problemas. Seus métodos são confirmados: ele trabalha num centro de recuperação de viciados em drogas, em Nova York. Muitos de seus métodos para curar o vício tecnológico são os mesmos utilizados para recuperar drogados. Suas soluções são sérias e efetivas.

O leitor que conhece o problema, hoje tão sério e crescente, do vício tecnológico, deveria ler Crianças luminescentes. O assunto abrirá seus olhos. Esse livro é mais importante ainda para os pais e professores, que verão mais claramente o perigo, e também como utilizar corretamente essas tecnologias modernas no lar e na escola.

 

Pais-helicóptero estão criando

 filhos simplesmente inempregáveis

 

Pais-helicóptero’ são os pais que estão sempre girando em torno dos filhos. Praticamente os embrulham em plástico-bolha, criando uma corte de jovens adultos que têm dificuldade de ter um desempenho satisfatório no trabalho e em suas vidas.

‘Pais-helicóptero’ pensam que estão fazendo o melhor, mas, na verdade, estão prejudicando as chances de sucesso dos filhos. Em particular, estão arruinando as chances de desenvolvimento social que os filhos consigam um emprego e consigam mantê-lo.

‘Pais-helicóptero’ não querem que seus filhos se machuquem. Querem suavizar cada golpe e amortecer cada queda. O problema é que essas crianças superprotegidas nunca aprendem como lidar com a perda, com o fracasso ou com o desapontamento — aspectos inevitáveis da vida de todos.

A superproteção torna quase impossível que esses jovens desenvolvam a tolerância em relação à frustração. Sem esse importante atributo psicológico, os jovens entram competição de vida, na força de trabalho em grande desvantagem.

“Pais-helicóptero” fazem coisas demais pelos filhos, portanto, essas crianças crescem sem uma ética de trabalho saudável e sem habilidades básicas da convivência e relacionamento. Sem essa ética de trabalho e habilidades necessárias, o jovem não será capaz de realizar muitas das tarefas exigidas pelo local de trabalho.

‘Pais-helicóptero’ superprotegem seus filhos e os privam de qualquer consequência significativa por suas ações. Com isso, eles perdem a oportunidade de aprender lições de vida valiosas a partir dos erros que cometem; as lições de vida que iriam contribuir para sua inteligência emocional.

‘Pais-helicóptero’ protegem suas crianças de qualquer conflito que possam ter com seus colegas. Quando essas crianças crescem, não sabem como resolver dificuldades entre eles e um colega ou supervisor.

As pessoas resolvem problemas tentando coisas, cometendo erros, aprendendo e tentando novamente. Esse processo cria confiança, competência e autoestima. ‘Pais-helicóptero’ impedem que seus filhos desenvolvam todos esses importantes atributos que são necessários para uma carreira de sucesso.

‘Pais-helicóptero’ pensam que seus filhos devem vencer qualquer coisa. Todo mundo que participe de um evento esportivo deve ganhar um troféu. Todos devem conseguir uma nota de aprovação, mesmo que sua tarefa esteja atrasada ou malfeita.

Em um local de trabalho funcional, há apenas um vencedor de uma competição, e apenas um trabalho de alta qualidade é recompensado. Se as crianças crescem pensando que independentemente do que façam irão vencer, não perceberão que, na verdade, têm de trabalhar duro para conseguir ter sucesso.

Esses jovens mimados ficarão arrasados quando continuarem perdendo competições, se saindo mal em entrevistas ou sendo demitidos de seus empregos. Não entenderão quanto esforço é realmente necessário para ser um vencedor no mundo do trabalho.

Esses jovens carecem de competência e ação por nunca terem tido de resolver um problema ou completar um projeto sozinho. Esperam que outros façam essas coisas para eles, assim como seus pais sempre fizeram. Em essência, não podem pensar ou agir por si mesmos.

A criação-helicóptero inculca uma série de atitudes negativas nas crianças. Elas crescem com grandes expectativas de sucesso, independentemente de quanto tempo ou energias investem, e sentem que merecem tratamento preferencial — sendo que nenhum dos dois comportamentos cai bem com seus colegas ou chefes.

Em uma entrevista de emprego, os futuros empregadores podem ser dissuadidos pela atitude excessivamente egocêntrica de um jovem ou alarmados por sua falta de habilidades básicas.

A aura de ignorância e incompetência de um jovem, combinada com expectativas de recompensas imediatas e substanciais sem relação com o desempenho, pode ser o beijo da morte em qualquer entrevista para um bom emprego.

Quando os pais decidem acompanhar seu filho de 20 e poucos anos em uma entrevista de emprego, isso mina qualquer confiança que um empregador possa ter nesse funcionário em potencial. “Por que”, os empregadores podem se perguntar, “alguém procurando emprego precisaria trazer a mamãe ou o papai na entrevista, a menos que esse jovem seja mais uma criança do que um adulto?”.

 Mesmo de pequenas maneiras, os ‘pais-helicóptero’ paralisam seus filhos. A criança adulta de ‘pais-helicóptero’ vai fazer sua pausa para o café e então sair da copa sem ter limpado sua sujeira ou lavado sua xícara. Podemos imaginar como isso causará ressentimento entre seus colegas.

Esses jovens esperam que “alguém” limpe suas coisas, da mesma forma que sua sujeira foi sempre limpada quando eram crianças. Não percebem que já não há ninguém os seguindo, limpando sua sujeira, seja física, interpessoal ou profissional.

Às vezes, a melhor forma de ‘estar presente’ na vida dos filhos é não estar.

Os artigos acima deixam claro que a ‘criação-helicóptero’ está contribuindo para um crescente índice de depressão entre jovens bem como para uma incapacidade de ter um desempenho otimizado no local de trabalho.

Se você é um pai ou uma mãe que quer que seus filhos sejam bem-sucedidos na carreira quando adultos, precisa estar ciente de quaisquer tendências relacionadas à criação-helicóptero em você ou em seu parceiro.

Amar seus filhos significa guiá-los, protegê-los e apoiá-los. Não significa sufocá-los, superprotegê-los ou fazer tanto por eles que nunca aprendam a pensar por si mesmos, a lidar com desafios ou com o desapontamento e fracasso.

A coisa mais amorosa que você pode fazer como pai ou mãe é dar um passo atrás e deixar seu filho cair, se preocupar e resolver as coisas sozinhas. Às vezes, a melhor forma de “estar presente” na vida de seu filho é não estar. É assim que você os capacita a desenvolver confiança, competência, autoestima e inteligência emocional.

Hoje os jovens precisam de pais que os ajudem a se tornar adultos úteis. Isso significa girar menos em torno deles e embrulhá-los menos em plástico-bolha e empoderá-los mais para que façam coisas por si mesmas, resolvam coisas por si mesmas e aprendam a lidar com as dificuldades, tudo por si mesmos.

 

Riscos à saúde da criança e do adolescente.

 

1 - Mundo Delivery: Os adolescentes estão crescendo em um mundo de relações descartáveis, de soluções imediatas e na falta de espaço para espera e amadurecimento.

2 - As tecnologias do mundo digital têm produzido muitos progressos e conforto para a humanidade, porém, seu uso inadequado tem causado alguns problemas à saúde. O tempo gasto pelo rádio para atingir 50 milhões de usuários foi de 38 anos, a televisão, 14 anos e a internet precisou apenas de 4 anos. Crianças e adolescentes assimilam rapidamente a nova tecnologia digital, porém a sociedade não os acompanha e os problemas relacionados ao seu uso abusivo aumentam todos os dias.

 

3 – Neuroplasticidade: É uma propriedade do SNC de modificar seu funcionamento e reorganizar-se estruturalmente para compensar as mudanças ambientais ou lesionais. O uso precoce e frequente das tecnologias digitais pode, na visão do adulto, ser um objeto de distração, mas para a criança (0 a 2 anos) pode influenciar seu desenvolvimento e condicionar seu comportamento. Até os 2 anos de idade, o aprendizado é feito pelos sentidos e pela área motora segundo Piaget. Explora o mesmo objeto de formas variadas. Experimenta ações e resolve problemas por meios de tentativa e erro. A estimulação para o desenvolvimento cerebral causada por exposição excessivas das tecnologias (celulares, internet e Ipad) pode estar associada ao déficit de funcionamento executivo e atenção, atrasos cognitivos, prejuízo da aprendizagem, aumento da impunidade e diminuição da capacidade de se autorregular, por exemplo, birra, segundo Pagini (2010). A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria recomendam que as crianças na idade entre 0 a 2 anos não devem ter qualquer exposição à tecnologia (celular, internet e Ipad); crianças de 3 a 5 anos devem ter acesso restrito a uma hora por dia.

 

4 - Riscos à saúde no mundo digital:  Dependência de Internet (DI): Apresenta-se como uma inabilidade do indivíduo em controlar o uso crescente da Internet, que pior sua vez, conduz a uma alteração progressiva de controle e aumento do desconforto emocional. É considerado doença de DSM-V.

 

Critério para diagnóstico: Preocupação excessiva com a internet. Apresentar irritabilidade e/ou depressão quando a internet é restrita. Permanecer mais tempo conectado do que o programado, e mentir sobre isto. Ter a escola, as relações familiares e sociais em risco pelo uso de internet. Teste de dependência de internet ou Internet Addiction Test (IAT).

 

5 - Sintomas: Timidez – Sono – Transtorno de ansiedade – Fobia Social – TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) – TDAH (Deficit de Atenção e Hiperatividade) e DI (Dependência Internet) – Depressão – Suicídio.

 

6 - Prevenção: É importante que o mundo adulto tenha mais atitude e elimine o sentimento de culpa, comum neste século devido ao pouco tempo disponível para os filhos, e evite fazer compensações; a relação não é pelo tempo, mas sim pela qualidade. A prevenção sempre é o melhor tratamento, sendo que os primeiros 5 anos de vida são fundamentais para formação do afeto e dos limites. A maior proteção do adolescente está na qualidade da sua relação com a família. Colocação de softwares de controle parental (Family Sasfetit e Macfee) nos computadores domésticos. Acessar o site Safernet Brasil para informação e orientação do uso seguro da internet. Educação digital para uso da tecnologia na idade adequada e limitação do tempo de uso.

 

Os adolescentes têm duas vezes mais DI que os adultos. A geração digital cresceu dentro de um ambiente no qual a vida virtual nada mais é que parte de seu cotidiano. O século XXI com suas características de pressa, as relações superficiais, o modelo do binômio impulso e ação associado ao adolescente, que dispõe de pouca ferramenta para lidar com frustrações; o excesso de competitividade, com um modelo escolar pouco sedutor e objetivo; as relações familiares difíceis, com pouco ou nenhum afeto; o contato com essa mídia sedutora que transporta o adolescente para situações de prazer num mundo virtual em que ele pode atuar da maneira que quiser este conjunto de situações favorece o desenvolvimento da DI e outros problemas psiquiátricos. O importante é que os adolescentes usem a internet, mas que não sejam usados por ela.

 

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