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Meíta Bardi, colunista

meitabardi@yahoo.com.br

Adelmo

Soares Leonel

Oi. Assim, oi, só o oi. Era como nos cumprimentávamos na Guaxupé de 60/70. Às vezes um oooiii gostoso, acompanhado de sorrisão, abrindo um papo, um oi tímido ou seco ou convencional ou por educação.

Nasci Adelmo Soares Leonel, em Capitólio de onde meus pais, Dr. Benevides (Dentista) e Dona Lia, se mudaram, antes de me romperem os primeiros dentes, pra Piumhi. Aos 10 anos encasquetei em ser padre e fui prá cidade de Luz (centro-oeste mineiro). No final do ano, desiludido com a prisão que era o seminário de lá, pulei pra fila dos meninos que queriam transferência pro glorioso Seminário Diocesano São José.

Foi amor ao primeiro contato com Guaxupé, quando o trem da Mogiana me empurrou pra plataforma, a pracinha de táxis e carroceiros, a avenida aberta, majestosa, a subida da catedral e, finalmente o seminário lá em cima, onde nos receberam, com o carinho de um vôzão, o Dom Inácio e os jovens padres Arnaldo, Wanius, Mário, Adelmo (xará), Zé Luiz, Faria... Toda minha formação acadêmica, pessoal, espiritual se deu aí, disciplina, muito latim e francês (Prof. Miguel Bonfleur) voltado pra ciência clássica e humanas. Afinal, ia ser padre! Quando meus irmãos Fernando e Tunico resolveram me seguir os passos, Dona Lia bateu o pé e papai saiu do Piumhi e se instalou ali em frente ao Parque Infantil, na esquina, uma casa pra baixo do sô Dunga, com consultório e residência. Sô Dunga, irmão do sô Zizinho, ficava confinado em casa por conta de ordens dos militares de 64 (coisas do jornal Folha do Povo) e, todo santo dia nos chamava pra ver televisão. Dali um tempinho, papai comprou um sobrado na Rua Padre João José, mais central como lhe convinha profissionalmente. Saí do seminário. Passei pro ginásio estadual no velho prédio do São Luís e estreamos o novo do sô Milo. Dr. Celso, Toninho, Dorival, Edna, Selma, Miguel e tantos. Me enturmei rapidamente.

 

                    

 

Primeira namoradinha. Cinema. Bailinhos e bailões no clube. Outras namoradas. Me permitam não citar nomes por se tratar de bulir com melindres e triquetriques. Tudo principiava no “rela”, na avenida: os caras rodavam por fora, as meninas por dentro, e as encaradas se cruzavam com chispas, duas vezes no trajeto. Nosso ponto era no caramanchão de cima: os irmãos Francischetti (Carlos Vicente e João Carlos), os Pasqua (Dalton e Douglas), Natal, Djalma. Ao som do alto-falante da Rádio Clube, onde, imaginem!, fui locutor. Lembra, Nabih? Dali, esvaziando o rela, umas biritas no Canarinho ou Bambu, e a serenata tão aguardada pelas paqueras e namoradas. Correndo o risco, claro, de topar com a guarnição do Sargento Cabo João, pouco afeito à música e zeloso pelo silêncio das madrugadas frias de Guaxupé. Próprias pra se criar grande paixões, como as não resolvidas que marcam pelo que poderiam ter sido. Uma troca de olhares do ginásio até lá embaixo e, pronto, perdidos de amor! Mais tarde formamos outro grupo de seresta com o Luta, Quim, Pelaquim, Gabiroba e eu.

Aliás, na música: havia uma gincana envolvendo as meninas do Imaculada Conceição e nós do ginásio. Fervia! Ponto (e vitória) pro ginásio com música minha (no clube, arranjo do Prof. Ailton e Wilsinho dos Falcões) e ganhamos pro CIC (no cinema) um samba rasgado feito com o Luta. Desenvolvi um afeto pelo samba desde quando entrei na bateria do antigo Bloco do Rui, depois, com o nome de Amadores do Ritmo. O carnaval era a grande festa guaxupeana, Bicancas, Pio Damião, toda cidade baixava na avenida, o clube lotava, os blocos caprichavam. Até que o Ala Jovem acabou com a festa. Explico: desfilavam tão ricos, tão esplendorosos que ninguém tinha as mínimas condições de competir com eles e as escolas esfriaram.

O clube da piscina era referência pra turma, com o zeloso seu Tavinho aos berros: “não fala palavrão perto das meninas, seu fiedaputa!!!” Das peladas (futebol, viu orêia) na piscina, o Zé Ácula me levou pro time do Vila Rica onde ponteavam o Macalé, Zé Carlinho, São, Leo, etc dirigidos pelo Mário Borges. Depois passagem pelo Alfenense e Independente do querido Antôe Grecco.

Em 70, o Tiro de Guerra; um ano levantando de madrugada pra “aguentar” os sargentos Bezerra e Teodoro. Imagina o Zebra, Gilvan, Iquim, Mauricim Nehemy, Chiquim Almada, Tonim do Posto, Elcim (era muiiito im) marchando, dando tiro e batendo continência!

Me formei em Odontologia em 75 e, começo de 76 o casamento com a Magali (da Dona Adair e sô Joaquim R. Vale, na rua D´Aparecida), mudando de mala e cuia pra Governador Valadares. 18 anos de trabalho pesado em consultório e lecionando na UNIVALE, onde fui chefe das disciplinas de Ortodontia e Odontopediatria. Três filhos valadarenses (Adelmo Filho – implantodontista); Marcos (jornalista e ortodontista) e Alessandro (engenheiro civil e ambiental). E, este ano, uma netinha –Bella- a coisinha mais fofa do mundo!

Princípio dos anos 90, volto pro sul de Minas e me arrancho em Passos, exercendo a Odontopediatria e Odontologia Hospitalar com pacientes especiais na Santa Casa. E continuei dando aulas em módulos de pós-graduação e atualização por aí afora. Inclusive em Guaxupé por duas vezes. Me orgulho de jamais parar no tempo, nem agora, quando me lancei a coletar células-tronco de dentes de leite. Nelas estão as terapias de ponta, já em uso e com futuro certo, na medicina.

Há 26 anos, fui brincar de escrever umas bobagens. De cara, o jornal Folha da Manhã gostou dos textos e, desde então, mantenho uma coluna. Outros da região me pediram a colaboração e cheguei a enviar crônicas para quinze jornais, simultaneamente, inclusive uns tempos para o Jornal da Região e a Folha do Povo. Dois livros de crônicas e contos foram publicados sendo que o primeiro “Ponto de Prosa” esgotou-se em 5 edições. “Balaio de Mineiro” que tive a honra do prestígio e do apoio de Elias José no seu lançamento, no Clube Guaxupé fazendo parte das comemorações do aniversário da cidade.

E assim a Revista Mídia vai resgatando a história de Guaxupé e seus personagens. Saudades para quem a viveu e pra atiçar a imaginação do quanto foi bom à geração tectec, aquela dos olhos baixos no teclado e dos contatos virtuais! Abração!

 

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